sábado, 26 de dezembro de 2009

prenez soin de vous

Na entrada, uma vídeo-instalação. Ao fundo branco, surge uma cacatua.

Pendurada num poleiro, a ave inquieta recebe em suas garras o pedaço de papel. Lê. Imediatamente o amassa e engole. "Eu nunca menti pra você" diz Brenda, a cacatua. E continua, "Jamais deixarei de te amar, cuide de você". De repente, o vídeo acaba. A tv fica escura por cinco segundos, reacende e as juras se repetem e repetem e repetem.

Nunca é fácil admitir que fracassamos. Dar fim, nunca acaba em poesia. Pelo menos não uma que preste ou se dê ao respeito, na minha opinião. Eu não diria que Sophie Calle conseguiu transformar a dor em arte. Ao menos tentou.

As palavras transformam-se ora numa arma pontiaguda ora apenas integrantes de uma folha de papel ridícula, passam em branco. Desta forma, a carta esgota-se. Mas a via é uma só, de recomeço. Eu recomeço no final da carta escrita por Grégoire, ex-namorado de Sophie, que em parte tem razão. O melhor que temos a fazer é cuidar de nós mesmos. Faltou dizer que não devemos esquecer de cuidarmos também uns dos outros.

domingo, 20 de dezembro de 2009

devolução não é entrega

escrevi duas cartas, uma de devolução (bens) outra de entrega (amor).

terça-feira, 1 de dezembro de 2009

constatação no. 1

Os meninos já estão acordados na porta dos supermercados com as suas garrafas de cola debaixo da blusa às oito e meia da manhã.

quarta-feira, 25 de novembro de 2009

primeiro ato (ridículo)

Dormi encolhida tal qual um feto, caíram umas três ou quatro lágrimas e nada mais. Primeiro me imaginei só. Ao poucos, voltaram-me as letras. Foi o estado sânie e impassível do meu corpo que me trouxe de volta às letras.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

cachorro louco

sábado, 24 de outubro de 2009

poema da irmã

à jordana louise

gavetas, pulsos
quando a nossa mãe se for
não haverá partilha de bens

lar, doce.

segunda-feira, 12 de outubro de 2009

crise

amiguinhos, nada é tão ruim

que não possa ficar pior.

domingo, 16 de agosto de 2009

perversos

eia, que te prociro nocivamente no estado exato de mebriagz, onde me cobre o teu corpo mesmo inabitável, veste tua respiração próxima no meu rosto e não há vocábulo que descreva tuas pernas quentes apertadas contra as minhas, bambas. te invado no escuro, não sei ao certo o certo, te procuro mesmo vaga, mesmo inóspita, como um sino.

embora eu detenha a tua fuga
ainda cruzo três ou quatro linhas que me prendam
ao teu corpo lar
a te copular.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

fazes-me falta

"talvez não hajam idades, só mortos ressoando pelos canais do tempo, mortos que, como ímans, aproximam e afastam os que ainda não morreram. tu trazias tantos mortos na sombra do teu sorriso. um tecido de mortos; a tua fúria de apaixonada era como uma pira funerária infinita, a tua entrega como a dos corpos às labaredas, num saber de cinzas"
inês pedrosa

hoje é sexta, não me dei conta. não dou conta do tempo faz tempo. fiquei sabendo através da minha cartela de pilulas, percebi que estava ingerindo a sexta-feira. alguns livros fora de ordem, alguns cartões fora de ordem e um calor terrível nos pés. quero traduzir uma cidade a qual não me cabe, quero descrever uma roupa que me aperta, no momento vírgulas me agradam mais do que pontos finais. e ponto final. talvez eu só precisasse estar só. e ponto final.

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

aviso prévio

agora também estou por aqui para impressões rápidas, coisa que venho apreciado ultimamente. mas não abandonarei este canto. aqui ocorrerão desabafos mais longos e enfadonhos. resumindo: será um blog chatíssimo. well, cada uma faz o que quer com o seu blog. eu faço bagunça. os poemas devem migrar para lá também, vamos ver se de casa nova eu tomo coragem para tirar alguns da gaveta e publicar.

beijos,